Você pode escolher a felicidade, sempre.

Agora a pouco, num momento de desânimo, daqueles em que você olha para uma coisa que gostaria muito que desse certo, mas uma duvidazinha cruel insiste em te rodear. Você começa acreditar que sua felicidade virou a esquina.
Eu decidi acompanhar seus passinhos de perto, confiei no incômodo que meu trabalho me causava, deixei alguns objetivos materiais de lado. Havia decidido buscar algo que me trouxesse uma realização gratificante como “Gente”. Não quero apenas executar tarefas. Quero uma vida de propósitos, quero influenciar pessoas, quero ajudar a construir um mundo mais feliz, colorido, decidido, confiante, realizado e principalmente: mais amoroso.
O que nos motiva, nos trás alegria, nos causa felicidade, está dentro de nós mesmos.
Num dia de muita tristeza, eu li uma frase linda, psicografada por um amigo: “A felicidade jamais poderá ser atribuída a pessoas, fatos ou coisas, pois, se os mesmos faltarem, não existirá motivos para ser feliz. Ela, a felicidade, é uma conquista interior, alcançada a cada passo da jornada”.
Hoje a tarde, ouvi um desabafo que esbofeteou minha consciência a respeito do que sei sobre a alegria de viver. Uma senhora, declarou em alto e bom som: – Sou casada a 24 anos, e não fui feliz nenhum dia.
Que triste.
É mais fácil encontrar coisas positivas em alguns lugares que em outros, mais fácil encontrar atitudes positivas em algumas pessoas que em outras. Mas de nada adianta buscar lugares perfeitos ou relacionamentos perfeitos, se para eles levaremos nós mesmos – conosco.
Nossa tarefa é encontrar as coisas boas que queremos em todas as pessoas, e em todos os lugares.
Quanto mais apreciarmos o que é bom (mesmo que ainda exista o que é ruim), mais do que é bom teremos. Sua felicidade depende apenas daquilo, para o qual decide dar sua atenção.
Tatua a felicidade na alma, e vai.
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Cuidado.

Eu tenho tanto cuidado com essa palavra, na verdade, tenho medo mesmo. Medo de te dizer pra ter cuidado com tudo.
O mundo anda perigoso, filho.
- Cuidado Alfredo, não sobe na cadeira. Não solte minha mão. Não beba o suco tão depressa. Não coloque moeda na boca.
Preciso que você entenda: não queria recomendar tanto CUIDADO. Queria poucas certezas:
1) Que mal nenhum vingue.
2) Que risco nenhum te cerque.
Acredite em mim, sentia-me mais a vontade na vida quando minha mãe me censurava e me repreendia. Eu era só uma criança. O mundo era tão simples. Eu não tinha um coração contraído de mãe.
Você está crescendo.
E não é porque eu vejo e aponto mil motivos pra que você seja feliz e se mantenha distante de qualquer risco, que isso seja suficiente pra que você se sinta feliz e livre de qualquer situação perigosa. Tem dores e tragédias que a gente não enxerga, mas estão ali, dentro e perto de nós, prontos e certos para acontecer.
Tantas experiências te aguardam, meu filho. Torço pra que você aprenda muito por amor, antes que a dor venha te trazendo liçÕes, apontando o dedo na sua cara, soberana e convicta.
Se algum dia questionar o quanto te disse: – Cuidado.
Saiba de uma coisa: queria mesmo era poder guardar você numa caixinha de música, a sete chaves. Meu tesouro escondido do mundo.
Enquanto você dorme, eu afrouxo meu coração.
Sei bem que não tem nada que se possa fazer quando a saudade de alguém aperta.
E seria bem difícil ter paz, com a falta de você.

eu e ele

Resiliência

Quando resmungarem perto de ti: “A vida é dura”.
Jamais questione, apenas pense: “Comparada a que?”
Cada um tem seu drama filho, difícil a tarefa de definir maior e menor grau de dificuldade de superação. Toda situação é efeito de uma causa, e a realidade é relativa e subjetiva.
Se resiliência é a arte de transformar toda energia do problema em uma solução criativa, te aconselho com convicção: seja conduzido por seus objetivos e não empurrado pelos seus problemas.
A vida retribui a confiança que deposita nela. A competência em insistir, persistir, resistir e nunca desistir é essencial. Erros também são formas de acertar. Acertar da próxima vez, aprender como se faz, e como não se deve fazer, principalmente.
Quando alguém sabe para onde ir, o mundo inteiro pára, para deixá-lo passar.
Jamais houve despertar de consciência sem dor. E ninguém se torna iluminado por sonhar com figuras de luz, mas sim ao ser submetido a um período de escuridao.
Adapte-se a qualquer situação meu filho, cada segundo é tempo para mudar tudo.

“Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo.” José Saramago.
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Faltou Bruno.

Num Fest Rock que não faltou Rock, pra mim faltou festa.
Muito bem organizado. O primeiro sem seu pai. E foi bom dividir com tanta gente a falta dele.
Eu olhava o palco e o céu. Uma mar de estrelas. Uma ponte de silêncio.
Estranho eu me lembrar disso no meio de uma festa filho: o dia em que olhei para o corpo do seu pai sem vida. Ele sempre fora a essência da alegria. Ali, a alegria não fazia mais sentido.
Acho que é por isso que gosto de lembrar dessa tristeza, para dar a alegria um sentido novo.
Nunca imaginei um Fest Rock sem ele. Durante um tempo a dor cantava um amor que não cabia mais em mim, e não percebia que a vida gritava forte. Vida que é falta e presença.
A partida do seu pai veio me ensinar que o tempo agora vale mais, é caro. Absolutamente necessário que cada segundo seja bom e simples.
Faz quase três anos, e você já é um menino.
Eu achava que essa dor nunca iria passar. Vieram outras. Outros sonhos. Novos desafios.
O silêncio deixado por ele no palco da vida, me deixou surda pra voz aguda da tristeza.
Foi assim que aprendi: As pessoas vão, a alegria fica.

P.S: Para seu pai:
Faltou sua voz de trombone cantando “Pretinha”. Faltou o som do seu pandeiro, das maracas, do apito, do triângulo, calados e guardados a tanto tempo. Faltou sua presença frenética correndo os quatro cantos do palco. Faltou você, Bruno.
Ainda bem que deu tempo de se reinventar. Alfredo tem a idade da sua falta. É sempre um prazer contar sua história pra ele: nosso milagre, meu delicioso desafio.
Todas as noites, acendemos uma estrela no céu pra você, amor que brilha. Para sempre.

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Borboleta no remo

Foi então que o vento começou a soprar calmo feito brisa… Compreendi que a vida é isso: Uma canoa à deriva, nos resta disposição pra remar.
Por um tempo, pensei que a minha se chocaria numa rocha petrificada por tristezas e eu seria levada pela correnteza da desesperança, pro desfiladeiro da saudade.
Mas, preferi acreditar que a tempestade passaria um dia, eu reencontraria minha canoa reluzente sobre as águas calmas.
Agora, navego em pé dentro dela, gosto de apreciar a travessia. Gosto de forçar o remo e ver como é bonita a maneira como a vida vai deixando tudo para trás. Olho para as margens e vejo a lua nascer no mar bonito, vejo o sol mergulhar no horizonte.
De repente os dias parecem mais leves e fáceis, e o futuro menos pertubador.
De repente dá vontade de sair por aí só sendo feliz, desejando que todo mundo seja também. Isso é muito mais fácil.
Quando se espera com fé, acorda-se enxergando tudo com olhos de poesia, vendo beleza em todo canto, sorrindo por dentro, vendo cores onde antes era só cinza.
É paz de espírito, é vontade de fazer dar certo, é fé em Deus, em si mesmo e na vida.
De repente a gente respira fundo e percebe que as angústias desocuparam o nosso peito. E que tudo está se ajeitando outra vez.
É hora de parar de estraçalhar a alma em guerras para as quais nunca se teve armas para lutar.
Hora de ser soberano como uma borboleta almirante, guiando seu destino com a leveza do vento que sopra a seu favor.

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